SEIS PEÇAS PARA CONTAR
60 ANOS DA CASA DE MATEUS

SÉC. XVIII

EDIÇÃO MONUMENTAL D’OS LUSÍADAS

Naquele dia de fevereiro de 1817, D. José Maria de Sousa Botelho, o 5º Morgado de Mateus, podia finalmente dar-se ao prazer de manusear o resultado de muitos anos de trabalho e dedicação: a Edição Monumental de Os Lusíadas. Um exemplar em dois volumes, impresso em velino com um novo tipo de letra criado expressamente pela tipografia parisiense de Firmin Didot e ilustrado com desenhos originais de alguns dos pintores mais notórios da corte francesa, acompanhado de outros duzentos e dez exemplares em volume único destinados à distribuição pelas Casas Reais europeias, mas também por bibliotecas públicas em Portugal, França, Itália e muitas outras partes da Europa. 

O caminho percorrido até aqui fora longo, acidentado, só possível a partir da paixão que o Morgado dedicava ao Poeta e da consciência do seu papel maior na literatura universal. D. José Maria sempre se destacara na sua geração pela educação que havia recebido. Pioneiro do Colégio Real dos Nobres, criação de Marquês de Pombal destinada a modernizar o ensino das elites portuguesas, virá a tornar-se o primeiro nobre português a obter uma licenciatura em Matemática, na Universidade de Coimbra. O seu professor, Anastácio da Cunha, pioneiro do cálculo infinitesimal que haveria de ser condenado pela Inquisição pelo crime de heresia, reunia regularmente em sua casa um conjunto de intelectuais de todos os domínios que muito contribuíram para a formação do Morgado. 

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Eugénia
Almeida

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séc. XVIII

CONTADOR ESPANHOLAR BARGEÑO

No século das Luzes, a Europa assiste à emergência de um novo paradigma fundado na autoridade e na legitimidade da razão, na afirmação da ciência e de um conhecimento fundado na experiência. Entre as transformações profundas que se vão operando, imperam ideias como progresso e liberdade, sobretudo a liberdade de contratação enquanto manifestação de uma vontade empreendedora. Não por acaso, neste mesmo século que viu nascer a Enciclopédia, uma peça de mobiliário assume um protagonismo especial: o contador.

Objeto eminentemente prático, composto por séries de gavetas e um tampo móvel que permite a escrita, servia de escritório e arquivo para a salvaguarda de documentos importantes. Sujeito às contingências da vida dos seus proprietários, fundamental enquanto memória e meio de prova, era necessariamente portátil, dotado de pegas e de tamanho bastante para ser transportado num cavalo de carga. Símbolo do poder e da influência de quem os detinha, a riqueza da sua decoração inspirou toda uma indústria do requinte, que encontrou os seus tradutores mais exímios nos artesãos de Bargas, pequeno município da província de Toledo, herdeiros de uma tradição árabe fortemente enraizada na Península. Os Contadores Bargueños, de que encontramos exemplares datados do séc. XVI, rapidamente se tornaram, assim, um marco de referência em toda a Europa, mobilando cartórios reais e senhoriais. 

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séc. XIX

RETRATO DE DOM JOSÉ LUÍS

Educado esmeradamente por sua avó, D. Leonor de Portugal, mulher de ação que transformou a Casa e a administrou com espírito empreendedor ao longo dos doze anos de ausência de seu marido, D. Luís António, no governo da Capitania de São Paulo, D. José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos (1765/1855) virá a confirmar a ascensão nobiliárquica da família ao ver-lhe ser outorgado, em 1823, o título de Conde de Vila Real. Fiel à tradição familiar, D. José Luís começa por destacar-se pelos seus dotes militares. 

Envolvido na resistência às invasões napoleónicas, no período da chamada Guerra Peninsular, participa, entre 1810 e 1812, nas batalhas do Buçaco, Albuera, Salamanca, Ciudad Rodrigo e Badajoz, alcançando o posto de General e merecendo a Cruz de Ouro, atribuída por D. João VI. Num tempo tão conturbado, seriam, no entanto, os seus dotes de diplomata e de hábil estadista a valer-lhe um lugar de destaque ao longo de toda a primeira metade do séc. XIX. Enviado extraordinário e plenipotenciário em Madrid, encarrega-se com sucesso da grande missão diplomática que haverá de concluir-se com os casamentos do rei D. Fernando VII com a Infanta D. Maria Isabel de Bragança, ainda hoje admirada pelo seu papel decisivo na criação do Museu do Prado, e do Infante D. Carlos com a Infanta D. Maria Francisca.

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séc. XVIII

RELÍQUIA DE SÃO MARCO MÁRTIR

Em 1698, com 25 anos, Diogo Álvares Mourão toma ordens menores e parte para Roma, onde será secretário do Cardeal Sacripanti, prefeito da Congregação da Propaganda da Fé sob o pontificado de Clemente XI. Irmão mais novo de Matias Álvares Mourão, o 3º Morgado de Mateus, sabe que as regras de sucessão, que privilegiam o primogénito, o destinam a procurar outros caminhos. Assegura para si os benefícios de Arcediago de Labruge e da Covilhã, mas é no Vaticano que a sua carreira eclesiástica conhece o seu auge. Aí, acompanha os esforços do sobrinho, António José de Sousa Botelho, para construir o novo Palácio e uma nova Capela, que haverá de substituir a antiga Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, «para maior honra e glória de Deus».

Um dos argumentos utilizados para conseguir, junto do Arcebispo de Braga, a autorização para demolir este pequeno pedaço de solo sagrado, é precisamente a acumulação de relíquias, todas certificadas pelas autoridades da Igreja, que se tornavam objeto de peregrinação e que exigiam um espaço maior e mais nobre para melhor acomodação e fruição espiritual. A autorização chega, a nova Capela é construída com traço do Mestre Álvares do Rêgo, ainda com inspiração barroca mas já a caminho do classicismo. Da capela original, datada de 1641, transitaram o altar e um magnífico tecto com caixotões pintados representando alguns dos maiores Santos da Igreja, que ainda hoje conferem uma atmosfera singular à Sacristia. 

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séc. XVIII

ORGÃO DA CAPELA DA CASA DE MATEUS

A música no Século XVIII é Barroca e apresenta os grandes nomes que até hoje são lembrados, escutados e interpretados e ela tem sido a trilha sonora ao longo das gerações da família da Casa de Mateus, em especial no século XVIII com a criação da Ópera de São Paulo (Brasil) por D. Luís António de Sousa Botelho Mourão (1722-1798), 4º Morgado de Mateus, na ocasião em que foi Governador da Capitania de São Paulo entre os anos de 1765 e 1775.

Em 1978 realizaram-se os primeiros concertos de música clássica na Fundação da Casa de Mateus com a participação de músicos portugueses e estrangeiros: (Joana Silva e Adriano Jordão; Patrícia Chiti e Adriano Jordão; Camarata Académica de Salzburgo; Orquestra de Câmara de Moscovo), logo em 1979 e até 1983 o número de concertos e recitais passa a atingir as 3 dezenas.

Em 1980, pela sua projecção, ressaltou o concerto de homenagem a Heitor Villa-Lobos pela Orquestra Gulbenkian e o solista Dagoberto Linhares.

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séc. XX

A MULHER QUE DORME NO LAGO, João Cutileiro

A segunda metade do século XX foi marcada por uma série de eventos resultados do Pós-Guerra, mas com a Guerra Fria ainda em sua efervescência. Ao mesmo tempo com a arte, a TV e a música muito presentes no cotidiano. 

Alguns países enfrentavam a sua própria história. Portugal enfrentava o Regime Salazarista que caminhava para o seu final na década de 1970 e aqui se insere João Cutileiro, “homem coberto de pó, como convém” (Mário Cláudio).

João Cutileiro, durante cinco décadas, tansformou um conjunto de pedras em esculturas que narram a história portuguesa em seus vários momentos. Uma de suas peças mais polêmicas é a escultura da Comemorativa do 25 de Abril que se situa no Parque Eduardo VII. Outra peça polêmica foi a escutural de D. Sebastião de Lagos de 1972 que, segundo faz uma “rutura total com a tradição da escultura contemporânea em Portugal” e, que segundo José Luís de França apud Reportagem Eposição “A pedra não espera”, 2018, era uma “rutura escandalosa com o regime, o prenúncio do fim do regime salazarista” (Reportagem Eposição “A pedra não espera”, 2018).

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